Juarez Santos - Minha Arte

Só mais um blog do Terra Blog

22.4.09

Divagação

Ontem, abri minha janela. Era cedinho, o tempo nublado, os vapores da manhã mal desperta e umedecida, em nuvens transparentes e leves ganhavam o céu preguiçosamente… Então, vi um arco-iris, gracioso, estendido na imensidão, em toda sua beleza. Será que ele se mostrava assim por se pensar despercebido? Não sei, mas meus olhos se encheram de alegria. Os arco-iris andam sumidos, certamente temerosos da humanidade. Fiquei embevecido, admirando aquele espetáculo maravilhoso e simples, sentindo-me agraciado por tanta beleza assim logo pela manhã. Ele pairava nos ares e se alongava por sobre a paisagem e os edifícios, tocando a terra ao longe. Certamente haveria um pote de ouro onde ele pousou sua extremidade. Mas, pensei, poderia haver maior riqueza que a alegria de contemplá-lo? Para mim, ele anunciava um dia abençoado. Então sorri e o reverenciei agradecido pela dádiva de tê-lo visto. E ele lá ficou, certamente já sabendo que era observado, por longo tempo. E eu permaneci calado, em  divina comunhão com ele. E agradeci ao Poder Supremo por aquela manifestação de Luz abençoando a manhã, a terra, a todos os seres. Certamente, se pensarmos bem, nos momentos mais difíceis em nossa vida, um arco-íris estará brilhando, à espera de ser percebido, como um aviso de que não estamos abandonados e que a beleza e a esperança são nossas maiores riquezas e que, para estarmos conectados com ela, basta aquietarmos a mente e nos por em sintonia com o invisível… Jaya Om!

criado por ptahmes    18:00 — Arquivado em: Sem categoria

28.3.09

Jane Rosse, “Antologia Alimento da Alma”

Jane Rossi é uma pessoa incansável. Amiga virtual no orkut, estivemos na Bienal do Livro em São Paulo, mas nossos horários não nos permitiu nos conhecermos pessoalmente. Sua poesia é adorável, simples, flui com espontaneidade. Sensível e inspirada, coloca em versos a alegria da vida, seus sentimentos e sensações que só uma alma poeta sabe captar. Um dia, pediu-me para escrever a orelha de seu livro Antologia Alimento da Alma, coletânea de vários poetas, editado por iniciativa privada. Eu não poderia recusar essa honra. O resultado aqui está. Jane, meu anjo, obrigado por todo seu carinho, sucesso sempre, amiga. Meu beijo lindo em seu coração.

criado por ptahmes    13:04 — Arquivado em: Sem categoria

14.3.09

Paisagem de Minas Gerais

Paisagem de Minas Gerais

criado por ptahmes    15:39 — Arquivado em: Sem categoria

VERSOS PARA MINAS - Fernando Campanella

O que me fica de Minas,

mais que o rumo das inconfidências,

são as ossadas azuis de seus montes,

indecifráveis dinossauros férreos

incrustrados na vastidão da alma.

Mais que os versos para Bárbara,

o que me fica de Minas

é um certo ar de inverno impregnando as sombras,

um cheiro de esterco e pastos orvalhados,

um espaço onde cavalos, insetos e vacas

reinam domínios de silêncios gigantes.

É a beleza modesta, porém eterna,

de suas claras morenas meninas,

os seios de desejos castos arfando.

São restos senhoris dos cafés dos campos,

casas com trepadeiras rubras e limões

cravo despencando,

um certo abandono, um descomunal cansaço,

uma quase lembrança do que já vivido.

Há ainda os incansáveis, gentis negros braços,

o leite pródigo dos úberes,

seiva inteira deste universo Minas inexplorado.

Mais que a transparência obscura do nome,

para além de toda forma, o que me fica de Minas

é matiz, é perfume.

( Fernando Campanella é meu primo, poeta genial, fotógrafo sensivel. Primo, minha homenagem e meu carinho. )

criado por ptahmes    14:30 — Arquivado em: Sem categoria

12.2.09

Esboços que nunca viram quadros…

Dentre minhas manias, uma delas é esboçar e pintar Ícaro como tema… Desde jovem, persigo esse sonho, um Ícaro seduzido por um sol radiativo, cego pela Luz que persegue… Freud explica? rsrsr… Aqui, um pouco dos meus rabiscos. Há outros, até virtuais, que posteriormente postarei. Que febre de criar, essa inquietude que move o artista? Eternamente insatisfeitos, mal terminado um trabalho, já nos movemos em busca de outra expressão, seja na pintura, na música, nas Letras… Acho que é ao mesmo tempo bênção e maldição, ser artista, embora não me considere um… eu apenas faço, produzo, movido por um impulso interior, sem maiores pretenções que não criar, criar, criar…

criado por ptahmes    11:28 — Arquivado em: Sem categoria

Pequena homenagem a um grande artista

Hoje sou a soma de todas as Eras,

Uma chama viva na imensidão do universo

Gota de poeira cósmica nos braços do Eterno,

Ontem, hoje e sempre, num turbilhão de esferas…

Serenamente contemplo a sucessão dos mundos,

Além de mim, do Tempo e do Espaço

Limite de mim mesmo, eternamente eterno…

Um xamã cósmico, eu, ponto de Luz me faço

Mais e mais seguro dos caminhos que traço…

criado por ptahmes    10:00 — Arquivado em: Sem categoria

11.2.09

O Paraiso é aqui!

Nesta terra, em se plantando, tudo dá…

Verdade, o paraiso é aqui, em terras de Pindorama, terras de Brasil. Imenso gigante adormecido que nunca desperta, nessa terra abençoada, em se plantando tudo dá. Hoje, temos neve e deserto, seca e chuvas torrenciais, tragédia por toda parte assolando o Paraiso. Temos fome zero para uns poucos nababos, bolsa família até para animais! Castelos para a impunidade de corruptos, favelas para quem quiser morar, intitulada favela-bairro para camuflar a miséria humana dos desvalidos. Temos tudo: SUS falido, “justiça” para livrar a cara dos intocáveis de dólares na cueca e encarcerar os pobres famintos de tudo… Temos um presidente que de nada sabe, presidindo uma nação que nada faz de louvável, e que passará para a História, certamente, como o incompetente dos incompetentes, que se arvora “do povo” e fala descalabros, manchando a última flor do Lácio, inculta e bela, agora mais inculta ainda, pois falar errado se tornou moda até na elite… mesmo porque, o ensino nesta terra de Brasil é falho e é um mal que já vem de décadas. Polícia mata polícia e civil, em brigas que desonram a ordem pela qual deviam zelar, mas avisam quando vão subir o morro à cata de bandidos… As drogas correm soltas, violentando as crianças desse país de futuro (negro) que nunca se faz presente, marginalizadas e sem sonhos, sem direito de serem crianças, mesmo com um Estatuto que as favoreça e protege (?)… Recordo-me agora de um poema egípcio velho de três mil anos e tão atual… “A quem falarei hoje? O mal campeia por toda parte, um irmão não respeita seu irmão, a pobreza está em toda parte… pessoas são assassinadas, os pobres enriqueceram ilicitamente, os templos foram profanados…”

Mas aqui tem carnaval e samba, riso farto em meio às balas perdidas, terra de “panis et cirsencis”… Vozes d´África, é uma piada, se Castro Alves vivo fosse, para escrever Vozes do Brasil… Aqui, em se plantando, realmente tudo dá… O Paraíso é aqui, nesse imenso Brasil, vergonhoso e belo pela própria natureza. O paraíso é aqui, nesse inferno de vilania… Brasil, Paraíso da Impunidade!

(Juarez Santos)

criado por ptahmes    10:15 — Arquivado em: Sem categoria

6.2.09

Dois Versos da Adolescência…

Se a vida vivi sonhando,

Da vida mesmo esqueci…

Não sei se vivi te amando,

Nem sei sequer se vivi…

(dos sonhos que acalentava,

a vida atróz me roubava,

o doce sonhar de ti.)

 

Inda recorto seu olhar tão lindo,

De quem dizia que amando estava;

De quem de amor, se dava rindo…

E chorando pedia o que sorrindo, dava.

Do amor que tinha; e do que em vão buscava,

Sem saber ao certo já o que queria…

Mas retraía no amor que dava

Por não saber se dar, nívea tremia…

( é que sorrindo dava, é que hauria,

a si somente o que, dando, pedia…)

Juarez Santos.

criado por ptahmes    10:28 — Arquivado em: Sem categoria

4.2.09

“Ricordanza”

Ela nasceu em 1910, numa antiga casa amarela cercada de flores, com um pomar imenso. Seu pai era médico e sua mãe, do lar. Aos quatro anos, a pequenina Inah revelou seu talento para a música, os dedinhos miúdos correndo pelo teclado do piano que ornava a sala. Seu pai se foi; ela, filha devotada, juntamente com seus irmãos, auxiliava no sustento da família, quando não estava ao piano. Inah cresceu e se casou, vivendo naquela casa enorme, que respirava arte. Depois, sua mãe partiu, assim como seus irmãos, sucessivamente. Restou ela, o marido e o piano. Enquanto Luciano lecionava -era professor - Inah, laureada por seu virtuosismo ao piano, ingressou na Escola de Música, onde ensinava Teoria Musical. Nas horas vagas, lecionava em casa.

O tempo passou rápido, “tia Inah” cercada por crianças e adolescentes, seus alunos, e quando estava só, o som de seu piano fugia da casa, enchendo a rua e os ares com suas melodias e sua alegria infinda.

Um dia, Luciano se foi. Inah permaneceu solitária e triste. Ela e seu piano companheiro, naquela casa imensa, onde seus alunos amenizavam sua dor. Enquanto seus cabelos prateavam, ela continuava na sua missão de ensinar aos outros sua arte. A rua inteira a conhecia e bebia dela o encanto das sonatas, prelúdios e polonaises que, de suas mãos, como uma fuga ganhavam a rua e invadiam a vizinhança… Inah continuava lecionando, solitária, naquela casa que, agora, respirava saudades e música. Dedilhava seu piano, suas mãos enrugadas, as lágrimas orvalhando seu rosto marcado pelo tempo. Todos que com ela conviveram julgavam-na imortal, antológica… Ela conhecia cada pedacinho da cidade e seus habitantes. Sabia de tudo e todos.

Então um dia, ela também se foi, desavisada, aos 91 anos. Silenciosamente, como uma pausa de infinitos compassos. A casa, também envelhecida, ficou vazia: de risos, saudades e música. As flores murcharam no jardim, a rua empobreceu. Nunca mais “tia Inah” idosa, acenando ao portão; nunca mais as sonatas e prelúdios invadindo sem cerimônia as residências vizinhas, os ouvidos, a alma, de quantos a ouviam tocar. Desde então, aquela casa amarela ficou deserta, como os corações daqueles que a conheceram; e se acostumaram com seus acordes e arpejos soltos ao vento, diariamente, ao longo dos anos. Dela permaneceu apenas saudade e silêncio, uma sonata interrompida, uma partitura vazia…

E eu acreditava fosse ela eterna

Como eterna é a música que ela ensinava

Paciente e dedicada; e o tempo deslizava

Em celestial harmonia, carinhosa e terna…

Seus dedos ágeis, que o teclado não feria,

( Antes com sensibilidade, os acariciava )

Eram asas de um anjo dourado que passeava

Entre arpejos e sons - divina melodia!

Envelhecemos, e o tempo fugidio

No compasso breve de um prelúdio insano

Arrebatou-lhe a vida, a música, o piano…

Vai, tia querida, vai concertar com os anjos!

Vai dançar com Luciano, teu amor idolatrado…

E eu sou só saudade, aluno e amigo dedicado!

Juarez Santos.

( Minha Homenagem e gratidão infinita à querida tia Inah Sá Pereira Chometon de Oliveira, um anjo que me amparou em todos os momentos de minha vida. Tia Inah, tu me chamavas de filho adotivo, “Barão da Vista Alegre”… Hoje este barão é dos olhos tristes. Tu me ensinastes tua arte, herança que me legastes com todos os momento de plena felicidade que dividimos nesta vida, e que ninguém poderá roubar. Minha doce e querida tia Inah, meu carinho sempre. Jaya Om, Jaya!).

Publicado numa antologia selecionada em um concurso de Prosa e Verso da Litteris Editora, em 2007.

criado por ptahmes    11:41 — Arquivado em: Sem categoria

29.1.09

Eternamente bela

criado por ptahmes    6:28 — Arquivado em: Sem categoria

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